terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O que há de prático na Motivação e Auto Ajuda?


Tudo que é novo, assusta. Mas além de assustar, intriga. E foi isso que aconteceu lá no início dos anos de 1990, com a chegada ao Brasil de algumas práticas empresariais que prometiam revolucionar todo o comportamento dentro do ambiente de trabalho das pessoas. Era a fase da Auto Ajuda, que chegava estimulada pela descoberta do mercado brasileiro. Antes de seguirmos, vamos entender o que é isso:

A descoberta do mercado brasileiro pelas grandes empresas multinacionais se deu durante o governo do Presidente Fernando Collor de Melo. Antes disso, somente poderia ser importado pelo Brasil os produtos sem similar nacional, ou seja, tudo que era fabricado dentro de nosso país tinha uma preferência chamada "reserva de mercado". Collor, em suas declarações polêmicas, dizia que os produtos brasileiros eram altamente ultrapassados, que os carros nacionais não passavam de carroças e que a liberação para a importação faria a industria nacional sair da zona de conforto e se modernizar. Então, através de uma ação de seu governo, ele "abriu as fronteiras" e o brasileiro ganhou gosto pela novidade, passando a consumir tudo que vinha do exterior. Com isso, o mundo descobriu o Brasil, no sentido de perceber que aqui havia um enorme mercado consumidor.

Foi com isso que muitas empresas nacionais buscaram alternativas para serem competitivas. Uma destas alternativas vinha de cursos para seus funcionários, reengenharia, certificações e outras coisas mais que estabeleciam padrões mais elevados de qualidade. Além disso, com o tempo, as multinacionais começaram a abrir fábricas aqui e a exigirem novos padrões comportamentais de seus colaboradores brasileiros. Uma empresa em específico, a americana Amway, trouxe o marketing multinível (hoje muito conhecido pelos profissionais e clientes da Herbalife), movido por palestras motivacionais, livros que estimulavam a ambição e o poder através do pensamento positivo e da mudança de comportamento. Surgiram autores como Lair Ribeiro e Roberto Shinyashiki, que venderam verdadeiros "caminhões" de livros... Foi uma febre na época.

Hoje, mais de vinte anos depois, a fase da motivação e auto ajuda já se aquietou e, como tudo que faz sucesso, também cria seus críticos. Com isso, de um tempo pra cá o termo "auto ajuda" vem sendo classificado como uma espécie de charlatanismo e muitos psicólogos abominam a palavra, até num grau de superioridade, como se dissessem: "o que eu faço é muito mais do que isso...". E eu não discuto que seja mesmo, mas quero buscar uma reflexão: que mal há em aumentar a auto estima de uma pessoa? Entendo o que os críticos chamam de "mundo real", mas ainda acho mais fácil alguém permanecer firme em seu trabalho quando está motivado e com sonhos em comparação com o outro que se diz "encarando a realidade". Enfim, todo pessimista se classifica como "realista" e eu nunca vi isso trazer sucesso a ninguém.

Na última semana circulou pela internet um texto falando sobre "o empreendedorismo de palco" e a maneira como isso iria destruir você. Eu li várias vezes e apenas encontrei duas possibilidades que fundamentassem aquela obra: tomar base naqueles que se frustraram no desejo de vencer, numa espécie de desabafo ou ser oriundo de um concorrente interessado em desqualificar tal filosofia de trabalho. Neste artigo citado, um trecho que me chamava a atenção dizia, como se somente pudéssemos escolher entre um ou outro, que "Se antigamente os livros enormes e com suas setecentas páginas cuspiam fórmulas, equações e cálculos que te ensinavam a lidar com o fluxo de caixa da sua empresa, hoje eles dizem: você irá chegar lá, acredite, você irá vencer!”. Então, meus caros leitores, quero usar apenas um ou dois parágrafos para desmistificar essa afirmação.

O pensamento gera sentimento, que gera comportamento, que produz resultados. Se alguém quer mudar o resultado de sua vida, que comece mudando o pensamento. Se este alguém pensar positivo, terá energia para continuar e se pensar negativo, certamente irá desistir dos sonhos que tem, acreditando que pouquíssimas pessoas chegaram onde realmente queriam. Em algum momento escolhemos quem queremos ser e as pessoas que atingem o sucesso normalmente são as que escolheram acreditar no que querem. O empresário João Paulo Lemman disse, certa vez, que "prefere ser otimista, pois não conhece muitos pessimistas bem sucedidos". Ou seja, se o pensamento positivo não dá ao indivíduo a absoluta certeza do sucesso, o pensando negativo traz a certeza do fracasso. E há quem consiga se policiar diante de tanta coisa ruim que vemos por aí, para ser positivo sozinho? Claro que sim, mas se este não é o seu caso, uma palestrinha ou um bom livro certamente poderão dar uma força. 

Além disso, num mundo globalizado como o de hoje, onde há internet em todos os lugares, há cada vez menos facilidade de guardar os segredos empresariais... não são mais eles e nem as técnicas de produção ou administração que diferenciam as corporações. Na área de vendas, principalmente, é muito difícil tornarmos a nossa empresa melhor do que a outra através de técnicas ou estratégias, pois em pouquíssimo tempo a concorrência descobrirá suas bases e a copiará, melhorando-a, inclusive... Porém, o que a concorrência certamente não copia é o sentimento, o espírito e a emoção que é única de cada gestor. Essa motivação e o desejo de trabalhar naquela marca, de carregar aquele distintivo, isso você incute no coração do seu colaborador de forma com que ele se apaixone e se beneficie disso junto com você. Numa outra citação, agora do consultor e escritor mineiro Fernando Dolabela, "se você quer ajudar alguém a empreender, diga a ele para se emocionar".

Num artigo anterior eu disse que o sucesso é baseado em 3 pilares: Motivação, técnica e calma. Assim como existem palestras, cursos e workshops motivacionais disponíveis no mercado, há as escolas de negócios que ensinam técnicas administrativas, incluindo fluxo de caixa. Decida qual a maior carência que você tem neste momento, pois bizarrice mesmo é não ter gás suficiente pra enfrentar as dificuldades, quando elas surgirem.

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