terça-feira, 11 de setembro de 2018

Você se preocupa com a inveja alheia?



Assunto comum na maioria das sociedades, desde vizinhanças, rodas de conversas informais nas empresas e até mesmo nos rituais religiosos ou esotéricos, a inveja também é considerada um dos 7 pecados capitais. São aqueles que, supostamente, originam todos os outros pecados. A Gula, a Ira, a Avareza, a Luxúria, a Preguiça e a Soberba, assim como a Inveja, são os princípios que estimulam ações não adequadas e que levam o ser humano a graves erros.

As religiões podem ser bastante diferentes entre si, mas em todos elas existem os rituais de livramento de energias negativas e neste artigo eu não tenho nenhum objetivo de comentá-los e nem questionar qualquer um deles, mas de contar uma coisa muito curiosa, que um dia eu ouvi de um chefe da equipe em que eu participava. Ele dizia que adorava quando descobria que alguém estava com inveja dele. Afinal, segundo o mesmo, “ninguém inveja quem é ruim”. Aprendi com meu ex-chefe que as pessoas costumam ter inveja de gente que está bem, que conquista as coisas. “Ninguém chuta cachorro morto”, completava ele.

Desde então, eu não me preocupo mais com as tais energias negativas emanadas por supostos invejosos. Prefiro me preocupar quando não faço nada que gere a admiração das pessoas, pois normalmente o invejoso é o fracassado e este sim é um posto muito perigoso. Dizem que a inveja alheia atrapalha, mas não atrapalha nada… o que atrapalha é achar que não consegue as coisas por causa disso e entrar numa lamentação continua, que inclusive nos faz sentir inveja dos outros (ainda que pouco e ainda que involuntariamente). Além do mais, prefiro que tenham inveja de mim do que dó. O sentimento de dó é que realmente atrapalha, porque nos leva a ficarmos abatidos e dependentes de estímulos externos.

Por fim, quero dizer que estamos a todo momento fazendo propaganda de nossos trabalhos, de nossas empresas, de nossos visuais e pensamentos. Fazemos isso apresentando nossos Currículos e títulos para o mercado, postando fotos e frases em redes sociais ou mesmo escolhendo uma roupa bonita para vestir. Se nos sentimos bem sendo competentes, bem sucedidos, ricos, bonitos ou inteligentes, não faz o menor sentido deixarmos de sê-los porque alguém nos invejaria. Ainda que isso possa ser classificado como uma vaidade, este sentimento somente seria prejudicial se viesse acompanhado de mais algum pecado capital, como “soberba” ou “luxúria”. Mas a vaidade aliada a honra não leva a ganância, mas sim a conquista.

Sobre o ditado que diz que “a inveja mata”, faz todo o sentido, pois mata mesmo. Mas mata o invejoso, que todos também somos um pouco. É este que, em vez de gastar suas energias para melhorar a si próprio, o faz pra tentar vencer o invencível, que é o trabalho firme e abençoado do trabalhador.

domingo, 9 de setembro de 2018

Seu coach precisa ter experiência executiva? Ou somente a formação basta?



Eis uma grande polêmica. Coach precisa ter experiência? Tem que ser psicólogo? Tem que ser rico? Essa questão me lembra um diálogo entre um professor orientador e seu orientado, quando um perguntou ao outro se ele já havia implantado tal metodologia em uma empresa e a resposta foi negativa. “Mas se você nunca fez uma determinada coisa na prática, como pode me ensinar a fazer?” – perguntou o aluno.

A resposta do professor é irrelevante. O que importa é que precisamos saber o que esperamos de nossos interlocutores. A primeira coisa é definir se queremos um conselheiro, um mentor, um terapeuta, um psicólogo, um líder ou um Coach. Embora as pessoas confundam essas inúmeras atividades, elas são amplamente diferentes. Coach é o termo usado em inglês para “treinador” e apesar do nome, esse cara não treina ninguém (não é sua função). Coach não aconselha, não faz mentoria, não diz o que vai dar certo ou vai dar errado. Coach não trata patologias e nem mexe no passado das pessoas. O Coach não opera o seu trabalho para você e nem toma decisões, por isso ele não precisa saber fazer o que você faz. Mas então qual é a função dele?

Um Coach ajuda os seus clientes a decidirem com base em ferramentas, para então poderem render e atingirem os seus objetivos com os talentos que eles mesmos possuem. Coaches podem ajudar alguém a descobrir seus objetivos, mas não respondem, eles apenas perguntam. Quem dá as respostas são os clientes que, na maioria das vezes, percebem que eles já tinham as soluções, mas apenas não conseguiam enxerga-las ou mesmo aplicá
-las.

Coaching é uma metodologia testada e reconhecida. Existem parâmetros para medir e ferramentas para levar o cliente aos resultados que ele almeja, em direção aos sonhos dele e, principalmente SEM JULGAMENTO. Exato: o Coach não julga, ele apenas conduz o outro através da geração de suas próprias reflexões. Então, para responder a pergunta do título deste artigo, digo que da mesma forma que um padre solteiro pode aconselhar casais, um Coach bem preparado pode trabalhar com atletas, executivos, carreiristas ou mesmo empreendedores, sem nunca ter exercido suas funções. Não precisa ter filhos para ser pedagogo. Não precisa ser rico para ser consultor de investimentos, mas sim precisa entender as metodologias utilizadas.

Contudo, se ainda assim você faz questão que seu Coach tenha a experiência na sua área de atuação, presumo que você não quer um Coaching e sim uma mentoria ou uma pessoa para decidir por você. Só não reclame, no futuro, dessas decisões que ela tomará.

domingo, 15 de julho de 2018

Torcer ou não torcer: Eis a questão!


Em tempos de Copa do Mundo, vemos pessoas divididas entre torcer para o Brasil ganhar ou para que nem passe da primeira fase. Conversando com os céticos, concordo que este evento ganhou aspectos de circo montado e que muito se deixa de trabalhar por conta disso, mas também o entendo como uma sazonalidade como qualquer outra (Natal, Carnaval, Semana Santa e etc) e que o problema do nosso Brasil passa longe do futebol.

Se não tivéssemos a cultura de torcer pela seleção, os críticos iam achar lindo os outros países “civilizados” dando demonstrações de patriotismo ao cantarem o hino, ao se reunirem em praças para verem os jogos e diriam: “só no Brasil não conseguimos essa união”. Diriam que falta ao nosso povo “vestir uma mesma camisa” e etc. Isso porque nosso povo gosta muito de se desvalorizar, criticar seus próprios costumes e hiper-valorizar o que vê lá fora (pela televisão). Na minha opinião, isso acontece por causa de uma das grandes “doenças” que estão encravadas em nossa cultura: A Síndrome de “Vira-Latas”:

Lamentavelmente ainda sofremos de baixa auto-estima, que nos faz reclamar tanto do Brasil e do Brasileiro. Temos o habito de valorizar muito o que os outros fazem e criticar o que fazemos aqui. Dá a impressão que, diante de tantas situações desconcertantes, já estamos desacreditados e pessimistas. E como todo pessimista, até torcendo para que nossas previsões negativas se confirmem para bradar o “eu te disse”.

Esquecemos que bagunça também acontece na Europa, que na Espanha as pessoas se divertem com touradas, que o trânsito da Itália é violentíssimo, que o atendimento aos turistas na França chega a ser grosseiro e que eles também são assaltados na Turquia. Mas quando vemos situações como estas acontecendo aqui, fazemos questão de repetir o discurso tupiniquim: “é só no Brasil, mesmo!”.

A Síndrome do Vira-Latas explica o fato de nós, os Brasileiros, sermos tão medrosos para falarmos inglês, termos tanta necessidade de falar perfeitamente e, consequentemente tanta dificuldade de nos sentir fluentes. Povos asiáticos cujas economias crescem acima de 5% ao ano falam o idioma universal com muito mais precariedade, mas sentem-se a vontade para negociar com qualquer estrangeiro, pois entendem que não precisam mais que aquilo para entenderem e serem entendidos. Em resumo, a baixa auto-estima do nosso povo e seu sentimento desqualificado faz alguns quererem se agranfinarem (uma espécie de solicitação de pedigree), como se mais evoluídos fossem ou como se não fizessem parte da tal “gentalha latino americana”.

Talvez seja justamente essa falsa nobreza que exponha a sua fragilidade cultural. Portanto, segue minha bronca: antes de dizer que “só no Brasil” que tal coisa acontece, deveríamos avaliar o nosso próprio comportamento. O que poderíamos individualmente contribuir para uma mudança de cultura? Como poderíamos definitivamente abolir a “Lei de Gerson” e mudarmos esse cenário que tanto reclamamos? Se tivermos orgulho da nossa nação, do nosso povo e de nossa pátria, poderemos trabalhar para melhorarmos as próximas gerações ao invés de simplesmente culparmos Cabral.

Definitivamente, não é o fato de gostarmos de futebol que nos torna “malandros” e menos confiantes. Isso é uma apenas uma desculpa para justificar sua “viralatisse” adiquirida… mas vira o disco, esse papo já deu!

Publicado originalmente em 03/07/2018 Portal Novo Dia