domingo, 15 de julho de 2018

Torcer ou não torcer: Eis a questão!


Em tempos de Copa do Mundo, vemos pessoas divididas entre torcer para o Brasil ganhar ou para que nem passe da primeira fase. Conversando com os céticos, concordo que este evento ganhou aspectos de circo montado e que muito se deixa de trabalhar por conta disso, mas também o entendo como uma sazonalidade como qualquer outra (Natal, Carnaval, Semana Santa e etc) e que o problema do nosso Brasil passa longe do futebol.

Se não tivéssemos a cultura de torcer pela seleção, os críticos iam achar lindo os outros países “civilizados” dando demonstrações de patriotismo ao cantarem o hino, ao se reunirem em praças para verem os jogos e diriam: “só no Brasil não conseguimos essa união”. Diriam que falta ao nosso povo “vestir uma mesma camisa” e etc. Isso porque nosso povo gosta muito de se desvalorizar, criticar seus próprios costumes e hiper-valorizar o que vê lá fora (pela televisão). Na minha opinião, isso acontece por causa de uma das grandes “doenças” que estão encravadas em nossa cultura: A Síndrome de “Vira-Latas”:

Lamentavelmente ainda sofremos de baixa auto-estima, que nos faz reclamar tanto do Brasil e do Brasileiro. Temos o habito de valorizar muito o que os outros fazem e criticar o que fazemos aqui. Dá a impressão que, diante de tantas situações desconcertantes, já estamos desacreditados e pessimistas. E como todo pessimista, até torcendo para que nossas previsões negativas se confirmem para bradar o “eu te disse”.

Esquecemos que bagunça também acontece na Europa, que na Espanha as pessoas se divertem com touradas, que o trânsito da Itália é violentíssimo, que o atendimento aos turistas na França chega a ser grosseiro e que eles também são assaltados na Turquia. Mas quando vemos situações como estas acontecendo aqui, fazemos questão de repetir o discurso tupiniquim: “é só no Brasil, mesmo!”.

A Síndrome do Vira-Latas explica o fato de nós, os Brasileiros, sermos tão medrosos para falarmos inglês, termos tanta necessidade de falar perfeitamente e, consequentemente tanta dificuldade de nos sentir fluentes. Povos asiáticos cujas economias crescem acima de 5% ao ano falam o idioma universal com muito mais precariedade, mas sentem-se a vontade para negociar com qualquer estrangeiro, pois entendem que não precisam mais que aquilo para entenderem e serem entendidos. Em resumo, a baixa auto-estima do nosso povo e seu sentimento desqualificado faz alguns quererem se agranfinarem (uma espécie de solicitação de pedigree), como se mais evoluídos fossem ou como se não fizessem parte da tal “gentalha latino americana”.

Talvez seja justamente essa falsa nobreza que exponha a sua fragilidade cultural. Portanto, segue minha bronca: antes de dizer que “só no Brasil” que tal coisa acontece, deveríamos avaliar o nosso próprio comportamento. O que poderíamos individualmente contribuir para uma mudança de cultura? Como poderíamos definitivamente abolir a “Lei de Gerson” e mudarmos esse cenário que tanto reclamamos? Se tivermos orgulho da nossa nação, do nosso povo e de nossa pátria, poderemos trabalhar para melhorarmos as próximas gerações ao invés de simplesmente culparmos Cabral.

Definitivamente, não é o fato de gostarmos de futebol que nos torna “malandros” e menos confiantes. Isso é uma apenas uma desculpa para justificar sua “viralatisse” adiquirida… mas vira o disco, esse papo já deu!

Publicado originalmente em 03/07/2018 Portal Novo Dia

terça-feira, 19 de junho de 2018

Na era dos aplicativos de tradução, eu preciso mesmo aprender inglês?



Essa é a pergunta do momento. Afinal, já que o smartphone é o “canivete suíço” da nova geração e serve pra tudo (dependendo da capinha que você usar, servirá até mesmo para abrir garrafa), não seria dispensável este esforço? Com um aparelho desses, nada te impede de usar o Google tradutor na palma da sua mão ou instalar um dos inúmeros aplicativos de identificador de voz, que a transformam em dados e novamente em voz, porém já em outro idioma. Em resumo, o que eu quero dizer é que seu celular pode ser uma espécie de intérprete ou tradutor simultâneo.

Dito isso, porém, para responder à pergunta que fizemos no título deste artigo, é preciso avaliar algumas circunstâncias:

1 – ) se você não se incomodar em ter que usar um celular todas as vezes que quiser conversar com alguém que não fale seu idioma, então não precisa saber inglês.

2 – ) se não tiver nenhum problema o fato de se comunicar apenas usando um intérprete robô pelo resto da sua vida, então não precisa saber inglês.

3 – ) se não tiver nenhum constrangimento dos seus interlocutores que falam inglês por utilizarem um aplicativo diante da sua inabilidade, então não precisa saber inglês.

4 – ) se nas reuniões ou viagens em que você for convidado ou convocado a participar, não pegar mal o fato de não compreender ou se fazer compreender por sí mesmo, então não precisa saber inglês.

5 – ) se não te constranger o fato de ter que consultar o celular a todo momento que quiser ler uma placa informativa, então não precisa saber inglês.

Se todas as suas respostas convergem em não precisar, basta pensar que a sua vida profissional em contato seria tão tranquila quanto assistir a um filme dublado com cerca de 10 ou 15 segundos de delay. Ou que seu poder de receber informação visualmente dependeria apenas de uma operação de scanner ou digitação no celular. Se essas reflexões permanecem sendo suaves e sem prever nenhum incômodo, deixe qualquer curso ou intercambio pra lá.

Caso contrário, se você ficou incomodado com qualquer dos questionamentos que fiz, então sugiro buscar uma forma mais eficiente de falar o idioma universal da forma mais breve possível.

Alias, inicie hoje mesmo um curso bom, moderno, rápido e sério! Na verdade, é o que eu real e seguramente recomendo a você… Eu e 100% dos investidores (ou empregadores) de mercado global e que poderiam te dar alguma oportunidade de crescimento em algum momento de sua vida.

Obs: Caso queira refletir mais sobre isso, vá ao Café Corporativo #27 no YouTube, quando falamos sobre o assunto.

terça-feira, 12 de junho de 2018

O outro lado da folha


Uma vez ouvi alguém dizer que uma folha de papel, por mais fina que seja, sempre tem dois lados. Isso foi dito para mostrar que sempre há mais de mais versão para os fatos ou mesmo mais de um ponto de vista para o que é certo e o que é errado.

Lembro-me de uma vez quando ouvi um profissional experiente de minha empresa aconselhando outro mais jovem a se afastar de determinada pessoa, dizendo:

– Aquela pessoa não é honesta, não se misture com ela…

A resposta do novato veio imediatamente e sem titubear:

– Ela pode não ser honesta para você, mas nunca tratou mal… sempre me respeitou.

O mais velho pensou, olhou e perguntou:

– Para você, o que é respeito?

Encabulado, o jovem respondeu sem muita certeza:

– Ah, sei lá, é quando a pessoa te trata bem, é educada… não sei dizer ao certo.

Já prevendo que a resposta seria essa, o experiente expôs o seu ponto de vista:

– A minha concepção de respeito não é o tratamento com simpatia, mas sim com justiça. Uma pessoa que te respeita não mente para você, não te engana, não te passa pra trás. A meu ver, me respeita muito mais alguém que se esquece de pedir por favor mas faz o que prometeu fazer, do que aquele outro muito amável, mas que eu não posso contar com sua palavra.

As pessoas têm concepções diferentes do que é RESPEITO, EDUCAÇÃO, ALEGRIA, FELICIDADE, SORTE, AMOR, SUCESSO, etc. O que pretendo expor com esse breve artigo é que a definição do “bom ou ruim” se dá a partir do ponto de vista de cada um. Pensando assim, é natural que tomemos nossas posições, em especial no mundo corporativo. Mas, para não corrermos o risco de sermos injustos, precisamos entender que há outras formas de se ver a vida.

Se uma folha de papel tem dois lados, precisamos sempre nos manter preparados para olhar um pouquinho pelo lado do outro

domingo, 10 de junho de 2018

E agora? Como vem a Geração Z?



Seguindo o próprio alfabeto, depois das gerações X e Y, chega ao mercado de trabalho a nova turma, nascida a partir do ano 2000. São chamados de Geração Z e ainda são considerados uma incógnita, uma vez que ainda não houve tempo para analisá-los. Mas já dá pra se ter uma ideia diante do comportamento dos temporões, que na faixa dos “vinte e poucos” já agem diferente dos outros da mesma idade.


Sabemos que são instantâneos, hiper dependentes de seus smartphones, veem o avanço da tecnologia como algo tão normal quanto é normal a passagem das estações do ano e, principalmente, chegam com competências que seus antecessores se desdobraram muito para ter, como a facilidade com idiomas e de criar animação.

Como todos os jovens de todas as épocas, chegam entendendo que o que está instalado não serve, são a favor de mudanças e dão valor enorme a liberdade. Querem fazer coisas que antes eram proibidas e veem com naturalidade as rupturas que a geração anterior conquistou. Enquanto os seus pais estão preocupados com o que “as crianças” irão pensar ao verem o beijo gay na novela, eles se chocam mesmo é com as imagens da guerra na Síria. Começam a procurar seus empregos em um momento de forte crise e vivem a polarização política, onde seus pais são esquerda ou direita, democratas ou republicanos, contra ou a favor da prisão do Lula, simpatizantes ou críticos da história e do glamour europeu e, com isso tudo, entendem que precisam escolher um lado. Para eles não tem meio termo, tem um lado.

Os costumes comerciais mudaram: a Geração Z praticamente só compra pela internet, vai ao shopping só para passear, não liga tanto para as grifes, para os carros importados e o status para o qual realmente dá valor é a popularidade, medida pelo número de seguidores nas suas redes sociais. Ter um canal bombando no YouTube é tão relevante quanto era ser o capitão do time da escola para as gerações passadas. Eles não assistem os canais da TV aberta e, falando em YouTube, alguns ganham dinheiro com isso, fato que aliado a uma crise mundial, deve fazer o comportamento dessa garotada tender para o empreendedorismo, aceitando mais o risco, mas sendo menos paciente para aguardar os resultados.

No quesito “extroversão”, há um fator que pode polarizar, afinal eles preferem mil vezes “zapear” do que falar ao telefone, transmitem suas emoções através dos emoji e, com isso, a tendência é que se fabrique pessoas muito comunicativas por trás dos teclados e das câmeras, mas com uma enorme dificuldade para olhar no olho e dizer: “eu te amo”, o que seria realmente uma pena.